Cada vez mais os pais recorrem ao Google (ou à IA…) quando percebem que os filhos têm dificuldades persistentes na leitura, na escrita ou na matemática. As dicas são muitas e, por vezes, alarmistas. Ou não. A verdade é que a dúvida persiste: será apenas uma fase ou sinal de um problema de aprendizagem? Especialistas alertam que a incerteza prolongada pode atrasar intervenções essenciais no processo. Mas como distinguir o que é normal? E o que fazer?

O problema – o que não deve ser ignorado

As dificuldades de aprendizagem são alterações específicas na forma como o cérebro processa informação. De acordo com a Direção‑Geral da Educação (DGE), estas dificuldades podem afetar competências como leitura, escrita, cálculo, memória de trabalho e organização. Porém, não têm relação com falta de inteligência — mas podem afetar profundamente a autoestima e o percurso escolar das crianças ou jovens.

Estima-se que, em Portugal, entre 5% e 10% das crianças apresentem dificuldades específicas de aprendizagem, sendo a dislexia a mais comum. No entanto, muitas passam despercebidas até ao 2.º ou 3.º ano, quando a exigência escolar aumenta e os pais percebem que algo de ‘anormal’ se passa.

Sinais mais frequentes que levam os pais a suspeitar

 

  • Trocas de letras ou dificuldade persistente em aprender a ler.
  • Escrita muito lenta ou com erros ortográficos constantes.
  • Dificuldade em compreender instruções simples.
  • Problemas em memorizar conteúdos ou sequências.
  • Dificuldades em matemática básica.
  • Frustração, ansiedade e recusa ou entrave em fazer os TPC.

Indicam os especialistas em neuropsicologia que a persistência destes sinais ao longo de meses é um indicador importante.

O que os pais procuram na internet… 

Quando estes sinais surgem, a primeira reação é procurar respostas on-line. Entre os termos mais pesquisados, encontram-se estes: “dislexia sinais”, “o meu filho não aprende”, “problemas de atenção” ou “dificuldades de aprendizagem: sintomas”.

A internet oferece informação útil, mas também conteúdos contraditórios e/ou alarmistas. A Sociedade Portuguesa de Pediatria alerta que o autodiagnóstico pode atrasar a intervenção adequada, criando ansiedade desnecessária. Por isso, há que ter cautela.

 

As soluções: informação, avaliação e apoio contínuo

. Começar por fontes credíveis

Procurar informação junto de fontes credíveis e com especialistas. Pode começar-se pelo médico/pediatra que acompanha a criança e que, certamente, encaminhará para o especialista.

. Falar com a escola

Os professores observam a criança diariamente e podem identificar padrões.

. Procurar avaliação especializada

Quando os sinais persistem, a avaliação deve ser feita por psicólogos. A Cruz Academy conta com uma equipa de especialistas em Apoio Psicopedagógico que pode ajudar a identificar o problema e a orientar e acompanhar a criança no seu caminho escolar.

As intervenções podem incluir:

  • apoio psicopedagógico;
  • treino de leitura e escrita;
  • acompanhamento emocional.

 

Suspeitar de um problema de aprendizagem não deve gerar pânico, mas sim ação. A internet pode ajudar a reconhecer sinais, mas não substitui a avaliação profissional. E quanto mais cedo forem identificadas as dificuldades, maior a probabilidade de sucesso escolar e emocional. Importante é que a criança ou adolescente perceba, entenda e sinta que não está sozinha.

E os pais não precisam de enfrentar estas dúvidas sozinhos. Procure apoio — o primeiro passo pode mudar o percurso escolar do seu filho.