Terá a criança disléxica uma baixa capacidade intelectual? Não. Desfeito o mito, conheça os principais sinais, bem como algumas estratégias de intervenção utilizadas pelos especialistas para os casos de dislexia
Na obra ‘Comunicação Clínica e Relação de Ajuda’, Carlos Sequeira, mestre em Saúde Pública, e André Sequeira, neuropsicólogo, desfazem o mito ao referirem que a dificuldade em ler e escrever “tem sido, muitas vezes, erradamente, interpretada como um sinal de baixa capacidade intelectual”.
De acordo com os especialistas, “muitos disléxicos conseguem, em certas áreas e em certos momentos da sua atividade, uma performance superior à média do seu grupo etário”.
Além disso, ressalvam os técnicos que “só se poderá diagnosticar uma dislexia em crianças que apresentem, pelo menos, um nível intelectual dentro dos parâmetros normativos”.
Ou seja, é necessário, para haver diagnóstico, que exista um determinado nível intelectual.
Para os especialistas existe um conjunto de sinais de alerta que são relevantes para um diagnóstico precoce e para encaminhar para a consulta de especialidade. É nesta consulta que é realizada uma avaliação rigorosa.
Assim, a dupla de especialistas destaca alguns sinais de alerta nas diversas fases da infância.
Sinais de alerta


Idade escolar
- – Lentidão na aprendizagem dos mecanismos de leitura e escrita;
- – Dificuldade em compreender que as palavras se podem segmentar em sílabas e fonemas;
- – Dificuldade na leitura, com a presença constante de erros, verificando-se a invenção de palavras na leitura de um texto;
- – Escrita com muitos erros ortográficos e caligrafia bastante deficiente. Lacunas acentuadas na construção gráfica;
- – Saltar linhas durante a leitura, sendo que na leitura silenciosa se consegue ouvir o que está a ser lido, podendo cada linha de leitura ser acompanhada com o dedo;
- – Demorar demasiado tempo na realização dos trabalhos de casa (por exemplo, uma hora de trabalho rende 10 minutos);
- – Distrair-se com bastante dificuldade perante qualquer estímulo, parecendo que a criança está a ‘sonhar acordada’. Curtos períodos de atenção;
- – Os resultados escolares não são condizentes com a sua capacidade intelectual. Melhores resultados nas avaliações orais do que na escrita,
- – Dificuldade ao nível da organização pessoal;
- – Revelar bastante imaginação e criatividade, com bom raciocínio lógico e abstrato, podendo evidenciar capacidades acima da média, em determinadas áreas que não sejam a leitura e a escrita (por exemplo, desenho, pintura, música, teatro, desportos), apesar das dificuldades na escola.

(DR)
A relevância do disgnóstico na dislexia
Portanto, identificando-se alguns dos sinais a que se deve estar atento, por forma a considerar a intervenção de um especialista, é relevante saber como se processa o diagnóstico.
Assim, segundo os especialistas, o diagnóstico é efetuado através da “avaliação da história familiar, da avaliação do percurso escolar e de uma avaliação clínica.
Principais manifestações
- – Atraso na aquisição das competências de leitura e escrita;
- – Velocidade de leitura bastante lenta para a idade e para o nível escolar;
- – Omitir ou adicionar letras e sílabas (por exemplo: famosa-fama; casaco-casa; livro-livo; batata-bata; biblioteca-bioteca);
- – Dificuldade em exprimir as suas ideias e pensamentos em palavras;
- – Lacunas na construção frásica;
- – Ilegibilidade da escrita, letra rasurada, disforme e irregular, com muitos erros ortográficos;
- – Confusão entre letras, sílabas ou palavras com diferenças subtis de grafia ou de som (a-o; o-u; a-e; p-t; b-v; ss-ç; s-z e ão-am, são apenas alguns exemplos);
- – Confusão entre letras, sílabas ou palavras com grafia similar, mas com diferente orientação no espaço (b-d; d-p; q-d; a-e, entre outras);
- – Inversões parciais ou totais de sílabas ou palavras (ai-ia; per-pré; fla-fal; me-em; sal-las; pla-pal; ra-ar, etc)
- – Substituição de palavras por outras de estrutura similar, porém, com significado diferente (saltou-salvou; cubido-bicudo…)
- – Substituição de palavras inteiras por outras semanticamente vizinhas (bonito/lindo; automóvel/carro);
- – Problemas na compreensão semântica e na análise compreensiva de textos lidos.
Estratégias e agentes envolvidos
Importa referir que, de acordo com os referidos especialistas, as estratégias de intervenção na dislexia devem envolver “vários alvos, dos quais se destacam os professores, os pais e a criança”, obviamente.
Aliás, é de extrema relevância o papel que estes agentes têm na recuperação da criança, pelo que têm de estar alinhados para que, de facto, a intervenção seja eficaz. Portanto, é fundamental que estes agentes estejam sintonizados para que o problema se resolva.
Mas, afinal, qual o papel que os pais podem ter? Segundo os técnicos, é essencial que os pais promovam um ambiente propício à aprendizagem. É, igualmente, necessário que eliminem um discurso crítico e de punição. Na verdade, conforme sublinham Carlos Sequeira e André Sequeira, a criança já é “penalizada” pela dislexia.
Em todo o caso, e para facilitar o dia a dia dos pais de uma criança com dislexia, os especialistas orientam com algumas sugestões.

Mais do que tudo, os pais devem estar atentos e procurar dar o seu melhor. A vida é uma correria, sem dúvida, mas é preciso fazer uma gestão do tempo de modo a dedicar uma atenção extra a uma criança com dislexia. E/ou, à falta desse tempo, colocar a criança num espaço onde possa ter o acompanhamento adequado.
Aliás, é por este motivo que muitos pais procuram ajuda na Cruz Academy, visto tratar-se de um centro com uma equipa de especialistas que intervém em diversas áreas como a dislexia, disortografia, entre outras.
Portanto, neste centro de aprendizagem e de apoio psicopedagógico, as crianças com dislexia não só têm o acompanhamento do psicólogo infantil – que elabora um plano individualizado de recuperação do problema -, como contam com a ajuda de um explicador para melhorarem o seu percurso académico.
Quer saber mais sobre as vantagens das explicações? Veja aqui
